quarta-feira, 17 de junho de 2009

As lógicas no jornalismo



Hoje devemos nos perguntar o que é entretenimento e o que é informação no mundo jornalístico.
Ultimamente o jornalismo foi tomado por um grande conflito ente a lógica do lucro (informação como mercadoria) e a lógica da informação (democratização da informação/ bem público).

A grande questão no jornalismo hoje seria esta: Entretenimento X Informação





Jornalismo esportivo?

O esporte é e sempre será uma forma de entretenimento em nossa sociedade, uma maneira de relaxar e extravasar todos os tipos de sentimentos, alegria, tristeza, harmonia, coletividade e até violência e raiva.

O Jornalismo pelo ao contrário sempre foi tido como uma ferramenta de investigação, relato da realidade, denúncia, experiência, auxílio, enfim, um instrumento social de credibilidade.

Faria sentido à união destas duas linhas aparentemente tão distintas?

Jornalismo é toda e qualquer informação que sendo de relevância para a sociedade comunique sobre determinado assunto, seja ele esporte, moda, política ou economia.


Porém será que quando se repete demais um lance, uma jogada de um jogo de futebol, quando se sufoca demais um atleta ao ponto de impedi-lo de comemorar um título alcançado depois de muito esforço, como foi o caso com o jogador Ronaldo do Corinthians que não pode comemorar o título de campeão paulista devido ao assedio da imprensa, esta se fazendo jornalismo ou apenas tentando obter audiência?

Para a lógica da produção industrial da notícia quanto mais a informação circular mais valorizada ela estará, contudo o excesso no uso desta informação a partir de um dado momento deixa seu valor social, do direito a informação e passa a se basear pela lógica do lucro. Ao se exceder e repetir demais dada notícia, ela passa a servir mais como um entretenimento e forma de se obter lucro com as audiências, não fornecendo mais nenhum tipo de informação sobre aquele assunto.

O fato é como trabalhar jornalisticamente se baseando muitas vezes pela questão mercadológica?


Matérias mais suaves, claras e dinâmicas, com textos diferenciados devem sim existir no jornalismo como formas de atrair o olhar do leitor buscando sua atenção e interesse, porém a partir do instante que se deixa a essência jornalística de lado que é o de informar e se passa a pensar em outras questões, como simplesmente o lucro, o sentido do fazer jornalístico se perde.

O jornalismo esportivo pode ser assim bem exemplificado. É mais interessante televisionar um jogo do corinthians e do flamengo por serem as maiores torcidas do país visando a audiência(lucro) que isso proporcionará do que passar o de qualquer outro time seja qual for o campeonato em questão.
Muitas vezes percebe-se também nesta editoria lacunas no que se diz respeito a praxis jornalística, pois muitas das funções da profissão são deixadas de lada devido ao show e mercado que cerca o mundo do futebol, como a apuração e investigaçao mais profundas.

Hoje, então, o jornalismo seria entretenimento, prestação de serviço ou o quê?

O valor da notícia mais importante do ponto de vista mercadológico ou de conteúdo?

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Interesse Público x Interesse do Público

A intimidade das celebridades. A rotina, os relacionamentos, as separações, as brigas, dentre outros assuntos de importância questionável, muitas vezes tornam-se pauta de renomados veículos jornalísticos.

O futuro casamento dos jovens Alexandre Pato e Stefanye Brito mereceu 5’37” no Fantástico (Rede Globo) do último dia 31. Seria esta uma notícia de interesse público ou de um público específico, que acompanha a vida das celebridades?


Entende-se por interesse público toda informação de relevância social que possa alterar, transformar, acrescentar algo à vida das pessoas e à sociedade de um modo geral.
Abordadas sobre um mesmo enfoque, notícias sobre celebridades encontram-se em diferentes mídias – especializadas ou não – e, com frequência, se limitam a explorar a intimidade de pessoas famosas (a enésima briga do casal x, a plástica da fulana, os preparativos do casamento de beltrana, a primeira apresentação de ballet da filha do sicrano...), ignorando os princípios básicos da atividade jornalística.



A discussão aqui proposta é:

Essas notícias merecem espaço em veículos tidos como jornalísticos? De que forma poderiam ser veiculadas a fim de estabelecer relações coerentes com aspectos da sociedade? Mídias como Contigo, Caras, TV Fama, podem ser enquadradas na categoria de jornalismo ou são veículos meramente voltados para o entretenimento? É possível um equilíbrio entre o entretenimento e a informação? Como?





INTERESSE DO PÚBLICO TRANFORMADO EM INTERESSE PÚBLICO ?



"Sociedade Escândalo, pó e morte

A história é tão antiga quanto a humanidade, mas todo mundo continua a acompanhar com emoção a trama de poder, fama, traição e vício que uniu Susana Vieira e Marcelo Silva, depois os separou e por fim o levou à overdose fatal em companhia da nova e bela namorada. Dava um livro, um filme – e, claro, uma novela

LEIA A MATÉRIA DA REVISTA VEJA NA ÍNTEGRA "


INTERESSE DO PÚBLICO E SOMENTE DO PÚBLICO



Susana Vieira deixa uma delicatessen na tarde de sábado (13), dois dias após a morte, em circunstâncias trágicas, do ex-marido, Marcelo Silva

"O drama de Susana Vieira


Superando a tristeza

A atriz busca na família, nos amigos e nas atividades do cotidiano forças para superar o drama que atingiu sua vida: a morte do ex-marido, Marcelo Silva, após 33 dias de separação"

LEIA A MATÉRIA DA CONTIGO NA ÍNTEGRA

terça-feira, 26 de maio de 2009

Informação X Entretenimento

Quando o jornalismo transforma a notícia em um grande espetáculo.

Você acredita que a overdose de notícias, somada à quantidade excessiva de imagens presente nos diversos meios de comunicação, nos deixa melhor informados e mais aptos a agir no mundo? Ou faz da realidade um “fantástico show da vida?”

ÔNIBUS 174: Suspense em tempo real

No dia 12 de junho de 2000, Sandro Barbosa do Nascimento entrou em um ônibus em pleno bairro da Gávea, na cidade do Rio de Janeiro, para cometer um assalto. Parecia “apenas” mais um assalto. O acontecimento, no entanto, se estendeu por longas cinco horas, 11 pessoas foram mantidas reféns e então passou a ser televisionado ao vivo, tal como um filme de suspense. Esse é o famoso caso do ônibus 174, que inclusive virou filme de cinema.

A maioria dos canais de televisão realizava a cobertura ao vivo do seqüestro do ônibus para os telespectadores. A mídia mostrava passo a passo toda a negociação entre a polícia e Sandro. Havia câmeras por todos os lados em busca do melhor ângulo, repórteres estrategicamente posicionados para obter novas informações ou, simplesmente, transmitir ao público a sensação de atualização. Criou-se assim, uma atmosfera de suspense e expectativa; olhares fixaram-se nas telas aguardando o desfecho da história e por isso a audiência “estourou”.

Quando finalmente Sandro saiu do ônibus acompanhado de uma refém, a mídia se aproximou ainda mais para conseguir a melhor imagem do acontecimento. As câmeras estavam tão próximas que exibiram, ao vivo, a morte da refém.

Para se ter uma ideia de como o caso foi noticiado, o diretor do documentário Ônibus 174, José Padilha, comprou 50 minutos das filmagens que a TV Bandeirantes, a Rede Record e a Globo fizeram. Em arquivo, a Bandeirantes possuía cerca de 40 minutos de gravação, a Record 4 horas e a Globo 20 horas.

Não só a televisão, mas também os jornais impressos utilizaram as imagens para atrair a atenção do leitor. O jornal Folha de S. Paulo, por exemplo, estampou em sua capa diversas fotos do ocorrido. Além disso, fotos do sequestro ficaram disponíveis na Internet.

Restam então as perguntas: como você se sentiu diante das imagens mostradas pela televisão? Você ficou melhor informado? Houve excesso? A cobertura do caso assumiu traços de um filme de suspense?

PARA SABER MAIS:

“O caso Ônibus 174: Entre o documentário e o telejornal”. Uma análise de cobertura, realizada por Leonardo Coelho Rocha, do Centro Universitário de Belo Horizonte.



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